História da minha vocação
Aos 15 anos, depois de ler História de uma Alma, de Santa Teresinha, nasceu em mim o desejo de ser religiosa Carmelita. O meu pai não autorizou e tive de esperar pela maioridade, que na altura era aos 21 anos. Durante esses anos, apenas a minha mãe conhecia este meu desejo.
Aos 21 anos, continuava a sentir o mesmo chamamento, embora já não pensasse em ser Carmelita. No entanto, como os meus pais precisavam da minha ajuda para pagar a casa que tinham acabado de comprar, decidi continuar a trabalhar durante mais algum tempo.
Na Semana Santa de 1963, faleceu o padrinho da Ir. Fernanda Ferreira, que ela acompanhava há quase dez anos e que tinha sido uma presença importante na sua decisão de entrar no Aspirantado.
Quando lhe contei o meu desejo de ser religiosa, disse-me simplesmente: «Já tens 21 anos, não esperes mais, anda comigo».
Dias depois, fomos juntas a Vila do Conde, aos Salesianos, para nos confessarmos ao Padre João Vaz, Diretor Espiritual da Fernanda. Contei-lhe também as minhas preocupações e o desejo de continuar a trabalhar para ajudar os meus pais.
Foi então que ele me disse uma frase que nunca esqueci: «Vá, menina, que Jesus fica no seu lugar».
A decisão de partir
A Fernanda ajudou-me a perceber que era possível partir sem ter de esperar mais um ano para reunir o necessário para entrar no Aspirantado. Falou com a minha mãe e eu decidi aceitar o convite.
O meu pai, embora com dificuldade, acabou por aceitar a minha decisão. Entretanto, a Rita também manifestou vontade de ir connosco. Como conseguiu a autorização do pai, a Fernanda preparou tudo para as três.
No dia 30 de junho de 1963, partimos de Touguinha com o Padre João Vaz em direção ao Aspirantado, no Monte Estoril.
A chegada foi uma surpresa. Encontrámos muitas Aspirantes, algumas muito mais novas do que esperávamos. Éramos mais de trinta, acompanhadas pela Ir. Amália, pela Ir. Araceli e pela Diretora, Ir. Elvira.
Vivíamos num ambiente simples e pobre, mas cheio de carinho, alegria e serenidade. Os dias eram marcados pela oração, pelo trabalho, pelo estudo, pelas leituras e pelos recreios.
Havia momentos de silêncio e trabalho, mas também muita animação, com jogos, cantos de roda e convívio. A Rita gostava especialmente dos recreios; a Fernanda e eu preferíamos muitas vezes continuar a trabalhar.
Depois das férias e da vivência do Advento e do Natal, chegou o mês de janeiro. No dia da Festa de D. Bosco, a Fernanda e eu, juntamente com outras cinco colegas, fomos admitidas ao Postulantado. A Rita teve de esperar mais um ano, por ainda não ter a idade mínima.
A entrada no Postulantado trouxe-nos uma grande alegria, pois pudemos participar mais profundamente nos momentos de oração e meditação com as Irmãs.
Com a ajuda das Irmãs, especialmente da Ir. Amália Moroni e da Ir. Elvira, fomos preparando o passo seguinte: a entrada no Noviciado, a 5 de agosto de 1964.


