Num mundo marcado por constantes contrastes entre construção e destruição, esperança e incerteza, é fácil deixarmo-nos envolver por sentimentos de fascínio ou inquietação. Vivemos imersas nestas contradições que, tantas vezes, dificultam uma caminhada serena rumo à felicidade plena.
No entanto, é precisamente nas dificuldades que o ser humano revela a sua capacidade de superação, encontrando novos caminhos para viver com sentido e partilhar essa felicidade com os outros.
Foi neste espírito que, no passado dia 3 de maio, Dia da Mãe, a Província Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima celebrou o seu Dia de Gratidão Provincial, um momento marcante que reforça laços e renova o compromisso comunitário.
Um encontro de fraternidade e presença
O encontro reuniu cerca de 90 irmãs na Casa S. José, espaço onde vivem algumas das irmãs mais idosas ou fragilizadas pela doença. A escolha deste local foi, por si só, profundamente significativa: uma Província que se desloca para estar com quem mais necessita é sinal de verdadeira fraternidade, humanidade e espiritualidade.
A proximidade e a presença tornam-se, assim, sinais concretos de comunhão, um “sacramento” vivido na simplicidade dos gestos, onde a dor e a alegria se entrelaçam e transformam as dificuldades em oportunidades de amor e cuidado.
A celebração incluiu a Eucaristia, presidida pelo Pe. Luís Almeida, SDB, durante a qual foram invocadas as bênçãos de Deus sobre toda a Província, irmãs e colaboradores. Foi também um momento de ação de graças pelos dons recebidos ao longo do ano.
Inspiradas pelas palavras de Luís de Camões, recordou-se o valor das obras que transcendem o tempo:
“E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando:
Cantando espalharei por toda a parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte”.
Gratidão que fortalece a caminhada
Este dia de gratidão foi vivido em sintonia com a gratidão mundial do Instituto dedicada à Madre Chiara, prolongando esse espírito comum. A reflexão centrou-se também na vida e exemplo da Irmã Maria Troncatti, inspiração para ser, hoje, mãe, missionária e artesã da paz.
As nove comunidades da Província apresentaram trabalhos criativos, fruto de reflexão e oração, inspirados quer nesta missionária, quer em irmãs que deixaram uma marca significativa. Foi feita memória agradecida de figuras como Gina Magagnotti, Elvira Daparma, Carminda Preto e Rosa Rocha, cujo legado continua vivo.
Se recordar é viver, então este foi um dia vivido em profundidade, um verdadeiro exercício de gratidão que une, fortalece e suaviza os desafios do caminho.
Na conclusão, a Provincial, Ir. Deolinda Teixeira, expressou o seu reconhecimento a Deus e a cada irmã, destacando a importância da presença, criatividade e sentido de pertença. Sublinhou ainda que estes momentos de vivência em família são essenciais para alimentar a fidelidade e renovar o compromisso comum.

















