Nos dias 30 de abril e 1 de maio tive a oportunidade de participar nos Jogos Nacionais Salesianos. Depois de muitos anos ligado ao Movimento Juvenil Salesiano, foi a primeira vez que consegui acompanhar esta realidade tão de perto. A decisão surgiu em Conselho Nacional e nasceu da vontade de conhecer melhor aquilo que os Jogos representam para tantos jovens e casas salesianas espalhadas pelo país.
Já sabia que os Jogos tinham um enorme potencial. Todos os anos, centenas de jovens encontram-se para competir, conviver e representar as suas casas salesianas. Mas estar presente permitiu-me perceber que aquilo que ali acontece vai muito além do desporto.
Há algo profundamente salesiano naquele ambiente: a alegria constante, o espírito de família, a amizade espontânea, a dedicação dos animadores e a intensidade com que os jovens vivem cada momento. Sobretudo, a forma como vivem o jogo.
O pátio como lugar de pastoral
Tudo isto faz recordar uma dimensão essencial da espiritualidade juvenil salesiana. São João Bosco nunca separou o pátio da pastoral. Para Dom Bosco, o recreio, o jogo, a festa e a convivência eram lugares privilegiados de encontro com os jovens. Era no meio da alegria e da vida concreta que aconteciam a educação, a confiança, o acompanhamento e até a experiência de Deus.
Ao olhar para os Jogos Nacionais Salesianos, senti precisamente isso: uma pastoral viva, simples e próxima. Uma pastoral que não se faz apenas de discursos ou momentos formais, mas que nasce das relações, das emoções e das experiências partilhadas entre atletas, treinadores, voluntários, salesianos e salesianas.
Porque a pastoral salesiana também acontece num banco de suplentes, numa conversa depois de uma derrota, num abraço após uma vitória ou no apoio dado a quem está mais desanimado.
Um espaço de pertença e comunidade
Os Jogos têm ainda uma enorme capacidade de criar pertença. Muitos jovens encontram ali um espaço onde se sentem verdadeiramente parte de algo maior. E isso tem hoje um valor imenso. Num tempo marcado pelo individualismo e pela fragilidade das relações, ver centenas de jovens unidos pela alegria, pela amizade e pelo espírito de equipa torna-se profundamente significativo.
Naturalmente, existem desafios. Há sempre o risco de a competição falar mais alto do que os valores. Mas talvez seja precisamente aí que a presença pastoral faz a diferença: ajudar os jovens a perceber que mais importante do que ganhar é a forma como se joga, como se respeita o outro, como se acompanha quem está ao lado e como se cresce em conjunto.
Muito mais do que um evento desportivo
Saí destes dias com a certeza de que os Jogos Nacionais Salesianos não são apenas um evento desportivo. São um verdadeiro espaço educativo e evangelizador. Um lugar onde os jovens descobrem capacidades, criam relações, aprendem valores e experimentam de forma concreta a alegria salesiana.
Os Jogos possuem um enorme potencial pastoral porque chegam aos jovens através daquilo que eles vivem com maior autenticidade: o encontro, a emoção, o jogo, a amizade e a experiência de comunidade. Um potencial que merece ser cada vez mais valorizado, acompanhado e divulgado — não apenas pelo impacto desportivo, mas sobretudo pela marca educativa, humana e pastoral que pode deixar na vida de tantos jovens.
Por isso, acredito que os Jogos Nacionais Salesianos não podem ser vistos apenas como “mais uma atividade”. Devem ser assumidos como uma aposta pastoral séria e intencional. Uma aposta que reconhece o desporto, o convívio e o espírito de equipa como caminhos concretos para acompanhar os jovens, educá-los e ajudá-los a crescer humana e espiritualmente.
Porque, muitas vezes, é precisamente nestes ambientes simples, vivos e cheios de alegria que os jovens se sentem mais próximos dos outros, de si mesmos e até de Deus.
A maior vitória dos Jogos
No fundo, talvez essa seja a maior vitória dos Jogos: ajudar os jovens a descobrir que há um lugar para cada um e que a vida ganha mais sentido quando é vivida em conjunto.











