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Missão Troncatti

Casa de Acolhimento Santa Ana – Setúbal

07 – 10 de abril, vivemos a Missão Troncatti com as meninas da Casa de Acolhimento Santa Ana. Dias muito diversificados, mas que possibilitaram às jovens uma experiência rica de grupo. Acompanhadas pelas missionárias desta missão, entre elas uma educadora e duas irmãs salesianas.

Esta missão contou com a participação de missionárias especiais, jovens universitárias e trabalhadoras que dedicaram o seu tempo e viveram com as meninas estes dias de missão.

Partilhamos o testemunho da missionária Assunção:

Depois da Páscoa tive a oportunidade de passar quatro dias em Cascais, no Externato de Nossa Senhora do Rosário, a convite da querida Irmã Salesiana Linda, para fazer a missão Maria Troncatti. Cheguei com uma grande borboleta na barriga, curiosa e expectante com tudo o que podia acontecer. Mas, mal pus os pés no colégio, senti um alívio imediato. A alegria das Irmãs que me esperavam acolheu-me de uma forma tão simples que, quase sem perceber, comecei a sentir-me em casa.

Apesar de toda a preparação anterior, foi só quando, perto do meio-dia, chegaram as 10 raparigas, com sorrisos do tamanho do mundo, que percebi verdadeiramente aquilo que me esperava. Havia ali qualquer coisa maior do que nós, maior do que qualquer plano. E começou assim, de forma muito simples: eu não fui dar, fui receber.

 

Recebi abraços sem pedir, confiança sem merecer, uma entrega tão autêntica que me desarmou completamente. Foi impossível não me deixar tocar pela forma como se tratavam entre si. Havia um cuidado constante, uma atenção às coisas mais pequenas, uma organização natural no dia a dia, desde pôr a mesa até se ajudarem nos momentos mais simples. Independentemente do tempo que cada uma tinha passado na Casa de Santa Ana, havia entre elas uma ligação muito verdadeira.

Há um momento que me ficou especialmente gravado: um abraço entre duas delas, felizes por estarem na mesma equipa. Um gesto tão simples, mas tão cheio de significado. Ali percebi que, mesmo vivendo juntas todos os dias, continuam a escolher-se, continuam a alegrar-se por estarem umas com as outras.

Também me marcou muito a forma como olhavam para a educadora. Havia um respeito bonito, mas sobretudo uma confiança serena. Um olhar de quem sabe que pode contar, de quem se sente seguro. E isso dizia muito mais do que qualquer palavra.

E depois, a relação com as Irmãs. O carinho com que as tratavam, a forma como as procuravam, como se apoiavam nelas. E, ao mesmo tempo, uma abertura tão grande para acolher outras Irmãs, mesmo aquelas que já não viviam com elas ou que não conheciam.

Ao longo dos dias fui-me deixando tocar por pequenos gestos. As músicas que cantavam constantemente, os passeios sempre cheios de vozes e risos, o entusiasmo com que diziam que adoravam ver o mar. Houve momentos mais difíceis, como a viagem longa até Sintra, em que o cansaço já se fazia sentir e muitas estavam mal dispostas, mas nem isso apagava a alegria que levavam. E, no meio de tudo, a disponibilidade para ajudar nunca falhava, especialmente no cuidado com uma das meninas em cadeira de rodas. Não era fácil, via-se o esforço, mas nunca foi um peso. Era natural, era amor em ação.

Houve também um momento que me marcou de outra forma. Num dos dias, tivemos um problema com o dinheiro para o almoço. Bastou uma simples mensagem para um grupo da Missão País e, quase de imediato, apareceu ajuda. Sem perguntas, sem hesitações. Só disponibilidade. Foi impossível não me impressionar com esta prontidão em ajudar, com esta força dos jovens que, mesmo à distância, estavam presentes. Senti que não estávamos sozinhas e que Nossa Senhora Auxiliadora dos Pobres, a quem tanto rezávamos, entrou imediatamente em ação.

E essa alegria que vivíamos não ficava só entre nós. Sentia-se à volta. Nas pessoas que passavam por nós, nos olhares curiosos, nos sorrisos que recebíamos de volta. Havia qualquer coisa diferente naquele grupo, uma leveza, uma luz que se espalhava sem esforço. Como se quem passasse por nós conseguisse, por momentos, sentir essa alegria de Deus.

A história de Maria Troncatti foi-nos acompanhando ao longo destes dias e, de alguma forma, ganhou vida nelas. Nos bons dias, nas pequenas reflexões e, de forma muito especial, no teatro que apresentaram. Juntaram-se, criaram, deram de si. Mais do que criatividade, via-se união, entrega, vontade de fazer algo com sentido.

E depois, tantos momentos de leveza. As danças, o just dance, as gargalhadas, as conversas que aqueciam o coração sem se perceber bem porquê. Uma alegria simples, mas profundamente verdadeira.

Estes dias foram, para mim, um verdadeiro abre-olhos. Todas as noites me deitava comovida. Pela forma simples como vivem, pela maneira como encontram tanto no pouco, pela capacidade de amar sem medida, seja quem for.

Saí de lá com o coração cheio e com uma certeza muito clara. Eu fui com a ideia de dar alguma coisa, mas recebi infinitamente mais. Levo comigo cada gesto, cada olhar, cada momento em que, sem saberem, me ensinaram tanto.

A verdade é que, mesmo sendo quatro dias, foram dias- e foram miúdas- que levo para toda a vida com a certeza de que cada uma delas terá um futuro brilhante pela frente.

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